{"id":477,"date":"2021-10-07T21:59:56","date_gmt":"2021-10-07T21:59:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/?p=477"},"modified":"2021-10-07T22:06:21","modified_gmt":"2021-10-07T22:06:21","slug":"veep-e-a-sua-licao-sobre-a-importancia-de-estudos-visuais-na-comunicacao-politica","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/?p=477","title":{"rendered":"Veep e a sua li\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de estudos visuais na Comunica\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">Para quem alguma vez j\u00e1 assistiu a premiada s\u00e9rie de com\u00e9dia Veep e acompanhou o desorganizado gabinete da vice-presidente (ficcional) dos Estados Unidos, Selina Meyer, deve ter reparado em um elemento recorrente nos epis\u00f3dios: a preocupa\u00e7\u00e3o dela com a sua imagem. Um bom exemplo \u00e9 o oitavo epis\u00f3dio da segunda temporada, no qual a vice-presidente concede uma entrevista, para um canal televisivo, mostrando um dia fora da Casa Branca. O epis\u00f3dio come\u00e7a com Selina demonstrando preocupa\u00e7\u00e3o sobre se o vestido que est\u00e1 usando passa o recado que ela quer, o de parecer casual. Ainda, h\u00e1 a inquieta\u00e7\u00e3o de como a roupa fica dobrada quando ela senta, precisando sentar de forma espec\u00edfica para que determinadas dobras sumam. Durante o epis\u00f3dio, ela tamb\u00e9m submete a filha vegetariana a comer um frango que fez, tudo pela sua imagem de algu\u00e9m da vida p\u00fablica que consegue conciliar a vida privada com o cargo pesado que tem. Em s\u00edntese, a preocupa\u00e7\u00e3o de Selina Meyer, neste epis\u00f3dio, \u00e9 com sua imagem meramente visual, muito pelo ve\u00edculo de transmiss\u00e3o da entrevista ser a televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Neste sentido, podemos introduzir o que Maria Helena Weber (2009) j\u00e1 nos disse sobre a imagem \u2013 ou a imagem p\u00fablica \u2013, que ela n\u00e3o \u00e9 formada apenas por elementos visuais, mas tamb\u00e9m pelos discursos, propagandas, not\u00edcias e m\u00eddias. Al\u00e9m disso, podemos recorrer ao soci\u00f3logo e antrop\u00f3logo Georges Balandier (1982) e atentar que o universo pol\u00edtico busca utilizar as t\u00e9cnicas de um determinado espa\u00e7o de tempo para garantir efeitos. Ou seja, se vivemos em uma \u00e9poca em que a televis\u00e3o e as m\u00eddias sociais online s\u00e3o dominantes, as t\u00e9cnicas do universo pol\u00edtico v\u00e3o condizer com estes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, se a televis\u00e3o e as principais redes sociais (como Facebook, Instagram, YouTube e TikTok) s\u00e3o visuais, os atores pol\u00edticos tamb\u00e9m se preocupar\u00e3o com os elementos visuais para transmitir suas mensagens. Deste modo, as preocupa\u00e7\u00f5es da personagem ficcional s\u00e3o totalmente v\u00e1lidas e nos mostram que qualquer detalhe visual pode se tornar importante para transmitir um sentimento, recado ou ideia. Estas min\u00facias j\u00e1 v\u00eam ganhando espa\u00e7o em pesquisas internacionais sobre estudos visuais (e. g. Farkas &amp; Bene, 2021; Strand &amp; Schill, 2019), que se mostram atentas para detalhes como roupa, express\u00e3o facial, tipo de imagem, presen\u00e7a de pessoas (fam\u00edlia, cidad\u00e3os, membros oficiais), centralidade do pol\u00edtico nas fotos\/v\u00eddeos, etc. O que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o visto em pesquisas nacionais, que ainda possuem um foco muito voltado para os temas debatidos pelos atores pol\u00edticos ou para um personalismo, sem a inten\u00e7\u00e3o de observar estes \u201cpequenos\u201d detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Para finalizar, podemos trazer um dos exemplos mais famosos sobre a import\u00e2ncia da imagem visual, que \u00e9 o primeiro debate presidencial televisionado dos Estados Unidos (1960). De forma resumida, os estadunidenses que viram o debate pela televis\u00e3o julgaram Kennedy como o vencedor, enquanto os que ouviram pela r\u00e1dio apontaram Nixon como favorito. Esta diferen\u00e7a se deu muito pela apar\u00eancia de Nixon, que prejudicou sua capacidade de persuas\u00e3o sobre quem o assistia pela tv. Portanto, se por um lado a import\u00e2ncia dos elementos visuais na pol\u00edtica batem na nossa porta desde, pelo menos, a d\u00e9cada de 1960, a ponto de uma s\u00e9rie de com\u00e9dia tamb\u00e9m ser capaz de estampar esta import\u00e2ncia, por outro parece, ainda, haver uma escassez de estudos visuais na comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira. Deste modo, a pesquisa nacional possui um tema pouco explorado para colocar em sua agenda de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\">BALANDIER, Georges.&nbsp;<strong>O poder em cena<\/strong>. Universidade de Bras\u00edlia, 1982.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\">FARKAS, X\u00e9nia; BENE, M\u00e1rton. Images, politicians, and social media: Patterns and effects of politicians\u2019 image-based political communication strategies on social media.&nbsp;<strong>The international journal of press\/politics<\/strong>, v. 26, n. 1, p. 119-142, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\">STRAND, Ryan T.; SCHILL, Dan. The visual presidency of Donald Trump\u2019s first hundred days: Political image-making and digital media. In:&nbsp;<strong>Visual political communication<\/strong>. Palgrave Macmillan, Cham, 2019. p. 167-186.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:11px\">WEBER, Maria Helena. O estatuto da imagem p\u00fablica na disputa pol\u00edtica.&nbsp;<strong>Revista ECO-p\u00f3s<\/strong>, v. 12, n. 3, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para quem alguma vez j\u00e1 assistiu a premiada s\u00e9rie de com\u00e9dia Veep e acompanhou o desorganizado gabinete da vice-presidente (ficcional) dos Estados Unidos, Selina Meyer, deve ter reparado em um elemento recorrente nos epis\u00f3dios: a preocupa\u00e7\u00e3o dela com a sua&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":483,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[26,27,20],"post_series":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/477"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=477"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":486,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/477\/revisions\/486"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/483"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=477"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fpost_series&post=477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}