{"id":359,"date":"2021-09-11T18:05:27","date_gmt":"2021-09-11T18:05:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/?p=359"},"modified":"2021-09-15T18:36:30","modified_gmt":"2021-09-15T18:36:30","slug":"o-sete-de-setembro-a-crise-institucional-e-as-big-techs","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.compadd.ufpr.br\/?p=359","title":{"rendered":"O Sete de Setembro, a crise institucional e as Big Techs"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">\u00c9 elementar a ideia de que o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico bagun\u00e7ou nossa antiga compreens\u00e3o sobre a l\u00f3gica emissor-receptor. Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 nada elementar o pensamento de que n\u00e3o temos&nbsp;o&nbsp;detalhado&nbsp;entendimento&nbsp;sobre o universo algor\u00edtmico que nos cerca, sendo este um importante tema na literatura sobre Internet &amp; Pol\u00edtica. Entretanto, a \u00ednfima conex\u00e3o entre academia e mercado nos impede de ultrapassar a barreira da generaliza\u00e7\u00e3o do tema a fim de alcan\u00e7armos o&nbsp;entendimento sobre como&nbsp;os c\u00f3digos guardados a sete chaves pelas grandes companhias&nbsp;impactam na crise comunicacional. Ref\u00e9ns da imprevisibilidade&nbsp;dos c\u00f3digos, somos expostos a toda e mais diversa gama de conte\u00fados&nbsp;\u2013 ver\u00eddicos ou n\u00e3o.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">No Brasil atual, \u00e9 imposs\u00edvel entrar nas redes sociais sem se deparar com assuntos relacionados \u00e0&nbsp;pol\u00edtica e, mais especificamente, sobre a crise institucional entre poderes da rep\u00fablica. Nas intera\u00e7\u00f5es sobre o tema, a&nbsp;disputa de&nbsp;narrativas&nbsp;pol\u00edticas&nbsp;ocorre no pior cen\u00e1rio poss\u00edvel: em plataformas que&nbsp;n\u00e3o conseguem combater&nbsp;\u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o&nbsp;dentro de seus pr\u00f3prios dom\u00ednios.\u202fMunidos por informa\u00e7\u00f5es&nbsp;de fonte question\u00e1vel, milhares de brasileiros passam a questionar a legitimidade de institui\u00e7\u00f5es estabelecidas no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Umberto Eco nos alertou, do alto de sua perspic\u00e1cia anal\u00edtica, o drama que viver\u00edamos anos mais tarde: um mundo digital an\u00e1rquico, com&nbsp;pouca fiscaliza\u00e7\u00e3o e, ainda menos, puni\u00e7\u00e3o.\u202fA crise comunicacional \u00e9 um problema que engloba a todos&nbsp;os&nbsp;usu\u00e1rios. Entretanto, seria inoc\u00eancia acreditar que a solu\u00e7\u00e3o estaria em n\u00f3s. Para que isso ocorra, milh\u00f5es de usu\u00e1rios deveriam, ao mesmo tempo, banhar-se nas \u00e1guas do bom senso e da boa conviv\u00eancia: algo n\u00e3o estimulado pelas pr\u00f3prias plataformas.&nbsp;Ao inv\u00e9s disso, temos pedidos para o fechamento do Supremo e destitui\u00e7\u00e3o do presidente do Senado, dentre outros pedidos que atentam, frontalmente, contra a nossa Constitui\u00e7\u00e3o&nbsp;\u2013 muitos deles tiveram protagonismo no \u00faltimo dia sete de setembro, nas grandes manifesta\u00e7\u00f5es em Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">A solu\u00e7\u00e3o para&nbsp;a&nbsp;crise est\u00e1 nas pr\u00f3prias big techs. Como podemos imaginar que empresas que criam algoritmos com tecnologia de ponta n\u00e3o&nbsp;conseguem&nbsp;coibir&nbsp;narrativas e usu\u00e1rios que promovem ataques contra a democracia? Como podemos imaginar que essas redes n\u00e3o possuam tecnologias suficientes para identificar rob\u00f4s ou usu\u00e1rios h\u00edbridos que promovem desinforma\u00e7\u00e3o?\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel imaginar que o papel das big techs deva se limitar \u00e0 remo\u00e7\u00e3o de uma conta de um ex-presidente&nbsp;ali, ou algumas publica\u00e7\u00f5es&nbsp;pontuais&nbsp;aqui,&nbsp;para dizer que \u201calgo foi feito\u201d. \u00c9 preciso que essas empresas criem regras claras para a suspens\u00e3o e exclus\u00e3o de usu\u00e1rios e contas nas redes, visto que essas redes s\u00e3o, ao final das contas, plataformas particulares. N\u00e3o coibir crimes \u00e9 botar a nossa democracia em risco.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">A disputa pelo controle das narrativas nestas redes faz com que as plataformas estejam inundadas por conte\u00fados&nbsp;inver\u00eddicos&nbsp;e usu\u00e1rios que n\u00e3o s\u00e3o reais, mas que, com o v\u00edrus da desinforma\u00e7\u00e3o, penetram em usu\u00e1rios reais e prorrogam o caos no \u201cmundo offline\u201d.\u202f&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Hoje, a&nbsp;crise comunicacional no Brasil \u00e9 ingrediente principal para a populariza\u00e7\u00e3o de narrativas que deslegitimam&nbsp;e botam em risco as institui\u00e7\u00f5es&nbsp;como o Supremo Tribunal Federal. Este processo pode acarretar em estragos de dif\u00edcil revers\u00e3o. A crise comunicacional \u00e9 um dos pilares que sustentam ao menos&nbsp;outras&nbsp;duas de nossas crises&nbsp;atuais: a pol\u00edtica e a sanit\u00e1ria. Encar\u00e1-la exige coragem e intelig\u00eancia para que&nbsp;as big techs&nbsp;consigam conciliar lucro e respeito aos&nbsp;valores democr\u00e1ticos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 elementar a ideia de que o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico bagun\u00e7ou nossa antiga compreens\u00e3o sobre a l\u00f3gica emissor-receptor. 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